Mary Catharina Rothembourg, a filha de um ferreiro que morreu quando ela era criança, foi criada pela mãe e não recebeu nenhuma educação formal. Aos 15 anos, em Londres, ela conheceu Sir Harry Holland, que a contratou como anfitriã e animadora de festa de despedida de solteiro: o início da decadência da bela menina-moça, ignorante, pobre e sem ninguém por ela. Usada de todas as formas, ela passou de mão em mão, até ser despachada como amante de um velho correspondente inglês, em Nápoles, para que ela não atrapalhasse um ótimo casamento que o nobre amante falido faria em Londres. Enganada, na iminência de ficar cega, ela aceita se casar com o homem que a recebeu em sua casa. O duque de Grafton tinha um passado tão sujo quanto o dos amantes de Mary Catharina e, em visita a Nápoles, conheceu a dama já completamente cega e quis o destino que, de alguma forma, ele expiasse seus pecados.
Imagine que você está andando tranquilamente pela cidade, quando a visão foge completamente de seus olhos. Terrível só de imaginar, não é mesmo? Pois foi assim que Mary ficou cega. Ela acreditava que a cegueira veio como um castigo, por conta de sua vida pregressa nada aceitável pela sociedade. Foi amante de alguns homens e dançava nua em cima de mesas, animando festas para "cavalheiros".
Mary passava seus dias em casa, com duas acompanhantes, que a ajudavam nas tarefas e principalmente para disfarçar, dando dicas do que fazer em cada situação. Seu marido era um bruto e ela sabia que se sir Horace descobrisse sua cegueira, ela seria colocada para fora, sem nada. Numa noite em que receberam convidados, Mary deveria cumprimentá-los. Um deles, o duque de Grafton, foi extremamente gentil com ela.
Queria o acaso que eles se apaixonassem. Não vou entrar em detalhes porque você vai conhecê-los no livro, mas as circunstâncias favoreceram o romance dos dois. Acontece que Mary era cega e seu passado não permitia que ela se casasse com um duque, especialmente com uma mãe e uma tia como ele tem.

