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Eu não sei dançar

31 agosto 2016

Eu estava ali, sentada em uma mesa mais distante das outras esperando a banda entrar no palco, eu ia ali raramente, mas aquela noite decidi me dar esse prazer, sabia que a música que a banda tocaria iria aquecer o meu coração ao ponto de aumentar a temperatura do meu corpo que se encontrava gelado.

Quando os músicos entraram no palco e se posicionaram eu avistei você ao lado, não estava no meio deles o que me levou a pensar que não seria um músico, fiquei intrigada com que papel você exerceria ali, já que percebi que tinha familiaridade com todos ao que estavam ao redor.

Trocava abraços com as meninas que se vestiam lindamente com vestidos que parecia terem saído do século passado e os meninos com suas gravatas borboletas, assim como a sua, que lhe dava um ar de menino inocente.

Quando os instrumentos ganharam vida eu estava dando um gole no copo de vinho que estivera repousado em minha frente, essa escolha também foi na esperança de me aquecer por dentro, retirar as muralhas geladas que insistiam em ficar em volta do meu coração.

Logo o copo voltou ao seu lugar e eu me vi presa naquela apresentação formidável que acontecia em minha frente, a música expressava um sentimento tão profundo em sua melodia que eu não pude deixar de sentir aquilo tomar conta de mim, olhei para as expressões dos músicos e das pessoas ao redor, quando senti o tom mudar, e as pessoas começarem a dançar.

E você estava ali, com seu sorriso fácil no rosto, dançando como se tivesse nascido para aquilo, como se não houvesse outra coisa na vida a não ser aquele momento, o jeito como mudava os pés de lugar e como segurava na mão de sua acompanhante de dança, a dança que além de serem feitas pelos corpos eram feitas pelos seus olhares.

 

Aquilo me fez ver você, com seus olhos grandes, cor da noite, pretos como um chocolate amargo. Os lábios fartos, os cabelos que estavam curtos, mas não deixa de mostrar alguns cachos que a cada passo que dava teimavam em cair no seu rosto, o que me fez sentir um impulso de ir até lá e tirá-lo dali para aproveitar e admirar a linha de expressão que tinha em seu rosto, rosto de menino, mas que tinha um que de homem e me fez deseja-lo.

Porque Preciso te Confessar

25 julho 2016


Preciso confessar que no momento que sua mão tocou minha cintura prendi a respiração, sim eu sei que foi um gesto simples, daqueles que a gente não faz intencionalmente, mas meu coração acelerou mesmo assim.

Com uma batida descompassada e um rubor no rosto, abri o sorriso e continuei a escutar o que você tinha a dizer, naquele momento já não conseguia entender nenhuma palavra que saia da sua boca, mas não podia ceder a vontade que senti de me inclinar sobre você e sentir o sabor dos seus lábios.

É loucura eu sei, mas a pressão que seus dedos fizeram de encontro com a pele exposta da minha cintura, me fez desejar você. Olhar pra você já não é mais como antes e as palavras se perdem quando saem de você em minha direção, vejo as letras soltas “b, e, i, j, o”, “a, m, o, r”, “d, e, s, e, j, o “ elas estão todas soltas e sei que se eu junta-las vou ceder a essa vontade e finalmente sentir o sabor dos seus lábios.

Sei que você não consegue ver isso acontecendo, meu sorriso amarelo no rosto não deixa perceber que sou sensível e fraca quando se trata de você. Mas eu tenho um grande problema querido, não costumo passar vontades.

Então naquele dia que dei um beijo demorado de tchau, sim quis me insinuar pra você, queria sentir a pressão dos seus dedos de novo, mas infelizmente não aconteceu, você me deu tchau e seguiu seu caminho.

Então eu precisei vir aqui confessar, então deixa esses grilos e amarras de lado e pode vir ao meu encontro, preciso que as palavras que se tornam letras ao sair da sua boca, enfim sejam reais.

Pode chegar mais perto, segurar minha mão e me chamar pra um lugar especial só nosso, quero sentir sim suas mãos firmes subir pela minha coluna, enquanto olho nos seus olhos que sorriem pra mim, sentir sua boca próxima o suficiente pra confundir minha respiração com a sua. E quando você permitir que seus lábios encontrem os meus não se afaste mais, por favor, nunca mais.

Quero que aplaque essa fome que me consome e que todo espaço que houver por mais pouco que seja ainda seja muito, para que eu possa sentir seu corpo não apenas junto, mas sendo um só, você e eu.

Confesso querido, que não importa quantos sorrisos amarelos eu lhe dou enquanto me fala coisas banais, na realidade tudo o que consigo pensar e o qual bom seria se se permitisse fazer todas os tipos de coisas banais comigo.

E como disse não gosto de passar vontade, então querido, se sem intenção alguma eu deixar minha mão na sua, não foge não, pode vir, me da um pouco do seu tudo, essa é a maneira que encontrei pra confessar que quero você.