Sinopse: Marin deixou tudo para trás. A casa de seu avô, o sol da Califórnia, o corpo de Mabel e o último verão agora são fantasmas que ela não quer revisitar. O retrato de uma história em que já não se reconhece mais. Ninguém nunca soube o motivo de sua partida. Nada se sabe sobre a verdade devastadora que destruiu sua vida.
Agora, ela vive em um alojamento vazio e está sozinha no inverno de Nova York. Marin está à espera da visita de sua melhor amiga e do inevitável confronto com o passado. As palavras que nunca foram ditas finalmente se farão presentes para tirá-la das profundezas de sua solidão.
O desconhecido é um lugar escuro.
Olá pessoal, hoje falaremos desse livro que é lindo e dolorido ao mesmo tempo. Ele trata de perdas, mas também de como elas nos fazem ganhar em aprendizado. É um livro que você lê em poucas horas e se encanta para toda a vida.
Marin vive com seu avô desde que se lembra, sua mãe morreu quando era muito jovem, e a semelhança entre elas sempre a faz se sentir desconfortável, pois todos os amigos surfistas dela, a tratam como se fossem velhos conhecidos sem respeitar seu espaço pessoal. Ao contrário deles, ela e seu avô, respeitam demais a individualidade de cada uma, nunca ultrapassando os limites.
Fiz algumas anotações, peguei Jane Eyre e me deitei no sofá. Eu já o tinha lido mais vezes do que conseguia contar, assim como meu outro livro favorito, Cem Anos de Solidão. Enquanto o segundo me prendia por sua magia e suas imagens, sua complexidade e sua amplitude, o primeiro preenchia meu coração. Jane era tão solitária. Tão forte, sincera e honesta. Eu amava ambos, mas eles satisfaziam desejos diferentes.
Hoje Marin está longe, vivendo uma vida que não era exatamente a que queria e a que tinha esperado e planejado. Longe de tudo e de todos. Longe de sua melhor amiga que por acaso é alguém que ela amou, ou ama, vai saber. O que sabemos é que ela se isolou e está se punindo, se é que podemos dizer assim, pelos segredos e mentiras que foram ditos a ela, e que no final acabou moldando toda a sua vida.
Quando descobrimos que não sabemos nada do que julgamos saber é um choque muito grande, na vida de uma jovem isso tem um efeito muito mais devastador. Mas ela sabe que precisa colocar as coisas e a mente no lugar, e mesmo que tenha se isolado por tantos meses, Mabel vem visitá-la no início do recesso. Tenta convencê-la a voltar no Natal para perto dos que a amam, mas isso significa ter que enfrentar toda uma vida de loucura e mentiras que abalou profundamente sua alma.
Não demorou para só estar ele no mar, e todos nós enfileirados, olhando. Ficamos assim por muito tempo. Não lembro quanto, mas até ele terminar. Então ele voltou, pôs a prancha embaixo do braço e passou direto. Como se fôssemos invisíveis. Nem sei se ele reparou que a gente estava lá.
Achei o livro meio confuso no início, mas logo percebi a beleza da narrativa empregada, percebi que aquela confusão era necessária para entendermos a personagem, para entendermos seu isolamento e sua dor. Um livro tocante e simplesmente emocionante, mesmo que seja carregado de dor. E com um final lindamente surpreendente.
Aquela garota teria consolado Mabel. Teria tocado nela, como se fosse simples. Levanto a mão e procuro um lugar seguro em seu corpo. O ombro. Eu a toco lá, e antes de ter tempo de pensar se é indesejado, a mão de Mabel cobre a minha, segurando-a.
Vocês precisam conhecer estamos bem. Precisam conhecer Marin e Mabel e ver que as descobertas e o amor de uma pela outra não precisa mudar por não estarem mais tão perto. Que a amizade acima de tudo é entender que a dor do outro precisa ser compreendida e acima de tudo respeitada.
Eu Estava com medo da minha solidão.
De como havia sido enganada. [...]
Eu tinha medo do homem que amara e do fato que ele era um estranho. [...]Tenho medo dele nunca ter me amado.
Quatro notas para Estamos Bem!
Ficha Técnica:
Autor: Nina LaCour
Paginas: 224
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
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