Alexander Wood, filho mais velho do senhor Richard Wood, sempre fui
considerado a ovelha desgarrada da família, aquele que não dava
satisfações. Sair de casa ainda adolescente, sem concluir os estudos e
sem enviar notícias do meu paradeiro, sem dúvida alguma confirmava
aquela impressão. Descobrir que o mar era a minha paixão, fazendo dele o meu sustento, só aconteceu depois de aventurar-me em muitos ofícios. Pescar
certamente era solitário, mas combinava com a minha alma introspectiva.
Para quebrar o breve exílio em alto-mar, eu mantinha uma mulher em cada
porto. E foi em um desses intervalos que eu a vi. Como uma sereia
que encanta os pescadores com sua beleza e canto, Violet me fisgou sem
esforço algum. Sua repentina aparição naquela pequena aldeia levantou
suspeita. Misteriosa e reflexiva, ela parecia não se importar com os
boatos que corriam de boca em boca. Sua única apreensão? Que eu não
retornasse para ela, fato que minha alma aventureira não permitia lhe
assegurar. E ainda que pudesse, como me decidir entre duas paixões?
Como sempre, gosto de dizer como o livro chegou em minhas mãos. E por conta de trabalho, À Deriva foi recebido por mim algum tempo antes de ir às livrarias (em fevereiro, com publicação em abril). Eu o revisei, e, apesar de ser trabalho, como disse, é um "pecado" eu dizer isso. Afinal, o livro é maravilhoso, tive muito prazer e cuidado para que ele chegasse às suas mãos.
Quando recebi o livro da editora, veio apenas assim: Manuscrito À Deriva. Eu não sabia quem era a autora, e fiquei extremamente surpresa por ser uma autora nacional, a Paola Scott, de quem nunca havia lido nada até então. Gostei tanto do livro que quebrei uma regra que costumo me dar, de não resenhar livros que reviso, mas quebrei porque quero que você o leia, e preciso divulgar o livro para o máximo de pessoas possível. Agora vou contar um pouco da história para você.


