Eu continuo aqui, nua, enrolada nesse lençol barato. Os lençóis dos motéis que passamos são sempre assim, baratos, de péssima qualidade. Mesmo assim, não desisti de você, mas desisti de mim.
Aqui nesses cinco minutos contemplando o que poderia ser a nossa vida, e não o que é a nossa vida nesse exato momento, e o quanto eu abandonei de mim mesma para ter você, vejo que não tem mais sentido.
Dói assumir que perdi tanto tempo de mim para você. E você? Bem, não perdeu nada, nem a mim, porque na verdade quando foi que você me teve? Eu não consigo saber se em algum momento fui sua de verdade, já que nunca considerou o que temos real.
Uma lágrima silenciosa cai do meu olho em direção a minha boca, ela é salgada, e lava tudo o que tem dentro de mim, menos o sangue que provavelmente deve estar por toda a parte do meu coração. Que está partido, quebrado, e dói, dói tanto que penso em fechar os olhos e voltar cinco minutos atrás e simplesmente desistir de te deixar ir.
Hoje eu olho nos seus olhos e digo “Não”. Seu semblante que, minutos atrás era puro prazer, se torna fechado e sei que já entendeu e que não preciso dizer muito para você a partir de agora.
Eu apenas sussurro “ Pode ir”. Sinto você hesitar entre ir e ficar para conversar, para tentar me convencer de que não precisamos fazer isso agora, de que não precisa terminar assim, porém nada do que for dito ou feito vai colar os pedaços do que eu chamava de coração, e com isso você se vai.
Você se vai. Saindo pela porta, leva tudo o que era meu: leva meus sorrisos, leva meus beijos, leva minhas carícias, leva meu ar, leva todo o meu amor, e me deixa sem entender onde tudo isso começou e por que terminou, sem nada, vazia, nua.
E a dor é tão forte que tenho vontade de gritar para você voltar e quero gritar para você ir e quero esmurrar e quero só ficar aqui e chorar, e as lágrimas caem sem cessar lavando a minha alma, que foi o que me restou.
E é pelo pouco que restou que me levanto da cama, e coloco o vestido que estava jogado no chão ao lado da gravata que você esqueceu na hora que bateu a porta e disse adeus, eu a pego do chão e a jogo na minha bolsa.
Com meus saltos altos e batom vermelho retocado, eu simplesmente vou, bato a porta atrás de mim e sigo meu caminho, pensando num pedaço de você que ainda está comigo e pensando na esperança que um dia eu possa ficar ali, nua, enrolada em lençóis que não serão baratos, pois irei escolher eles para mim, porque dessa vez eu não desisti de mim, e sim de você.
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